Estudos devem alavancar estudos sobre doenças neurológicas raras

*Texto de Anne Caroline Bomfim com informações de assessoria (Ufal)

Mais uma conquista. Alagoas ganhou um laboratório de pesquisa em células-tronco que promete alavancar estudos sobre doenças raras, em especial a Esclerose Lateral Amiotrófica. A inauguração aconteceu nesta quinta-feira (17), na Universidade Federal de Alagoas, localizada no bairro Cidade Universitária, em Maceió.

O projeto é uma iniciativa do Instituto Dr. Hemerson Casado. “O laboratório trará grandes oportunidades e poderes, e grandes poderes trazem grandes responsabilidades”, parafraseou o cirurgião cardiovascular e ativista, Hemerson Casado.

A solenidade contou com a presença da reitora Valéria Correia; a diretora Iracilda Lima e o vice-diretor do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (IBS), Renato Rodarte; o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), Fábio Guedes; o professor e coordenador Marcelo Duzzioni; o pesquisador Axel Cofré; o diretor presidente da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes), Gerson Guimarães; o superintendente de infraestrutura da Ufal, o engenheiro civil Diogo Henrique e o presidente do Centro Acadêmico, Jackson Araújo.

Para a reitora Valéria Correia, esse é um marco histórico para o enfrentamento das doenças neurológicas raras. A diretora do ICBS, Iracilda Maria, explica que pacientes com doenças raras poderão se beneficiar com estudos promissores. “Essa é uma ideia do médico Hemerson Casado. Ele nos procurou há quatro anos e agora comemoramos esta bela conquista”, expõe.

TECNOLOGIA UTILIZADA RECEBEU PRÊMIO NOBEL

Sediado no Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS), o Laboratório de Inovação Farmacológica planeja usar uma tecnologia que foi laureada com o prêmio Nobel em 2012. Para o biólogo e pesquisador Axel Cofré, as possibilidades de experimentação são inúmeras, desde a análise bioquímica e microscópica, até pesquisas com proteínas e genética médica.

Inicialmente, o Laif vai concentrar o trabalho com o estudo: “Investigação de novas estratégias para o tratamento da esclerose lateral amiotrófica: estudos in vitro com células-tronco pluripotentes induzidas”, com o objetivo de encontrar uma alternativa terapêutica para a ELA, considerada uma doença rara que leva a degeneração dos neurônios motores, resultando na perda do controle dos músculos voluntários.

O coordenador do projeto, o Doutor em Farmacologia Marcelo Duzzioni, explica que o Brasil possui apenas uma medicação aprovada pela Anvisa para o tratamento da ELA, que ainda não tem cura. “A droga traz poucos benefícios, então a nossa esperança é encontrar algo melhor, com eficácia e segurança comprovadas”, ressalta.

RECURSOS

O projeto que resultou na construção do Laif recebeu um investimento de R$ 2,3 milhões do Ministério da Saúde em 2017.

Foto: Ascom/UFAL

O novo laboratório tem aproximadamente 70 m² e contém dois ambientes de pesquisa, um voltado para experimentação molecular e outro para o cultivo de células-tronco. Esses espaços são preenchidos com equipamentos de última geração. A Fapeal e o Governo do Estado atuaram na captação de recursos.

Futuramente, universitários de cursos voltados à área da saúde serão selecionados para ajudar no desenvolvimento deste projeto.