Mesmo com doença incurável, mineiro César Pompeu ultrapassa as dificuldades e usa o tempo livre para se dedicar ao que mais gosta

*Texto de Anne Caroline Bomfim

“Mente quieta, espinha ereta e coração tranqüilo”. A frase do célere cantor e compositor paulistano, Walter Franco, é metaforizada por um mineiro da cidade de Varginha, quando é questionado sobre como é viver com uma doença incurável.

César Pompeu de Oliveira, 53, foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica há quase um ano. Precisou interromper a vida profissional e agora usa o tempo livre para se dedicar ao que mais gosta: a música.

UMA HOMENAGEM AO CAMALEÃO DO ROCK

Pompeu cresceu em uma família de músicos. A paixão pelo rock foi algo natural. “Eu nasci ouvindo música e ela trouxe muitos benefícios para a minha vida: bons amigos, cultura, diversão e, claro, muitos shows!”, diz.

“Teve um dia que estava conversando com uma amiga e ela me pediu para fazer uma playlist com os meus artistas e músicas preferidas no Spotify. Aí tive a ideia de criar a rádio”, conta.

A escolha do nome ZIGGY pode parecer incomum, mas, para ele, resume a essência da sua história. “Esse foi o primeiro apelido que usei na internet. Vem de Ziggy Stardust, um personagem do David Bowie”.

Conhecido como o “camaleão do rock”, o compositor britânico é considerado uma lenda da história da música mundial e um dos artistas preferidos do portador da ELA.

Mas engana-se quem pensa que a Rádio Ziggy se resume a rock. A programação engloba músicas que vão desde o sertanejo raiz, até o samba, jovem guarda e forró. Um verdadeiro caldeirão cultural.

ALÉM DA MÚSICA: CONHECENDO O INVISÍVEL

Com anos de atuação na área de Prótese Dentária, César precisou interromper a sua vida profissional devido às complicações da ELA. Com o afastamento do trabalho, César ainda espera a concessão da aposentadoria pelo INSS.

As dificuldades de sobreviver com uma doença rara no Brasil são inúmeras: desde o diagnóstico tardio, até a falta de informação, ineficiência do sistema público de saúde e distribuição de medicamentos. Mas, segundo Pompeu, o principal desafio não é o físico. É o emocional.

“Tem que ter a cabeça boa e o engajamento familiar é importantíssimo. Ter uma base cristã também é fundamental”, destaca. O mineiro é casado e compartilha dores e emoções com sua esposa. Além, claro, do gosto musical, que fortalece ainda mais o relacionamento.

Uma das mudanças mais significativas para ele foi em sua vida social:

Os passeios ficaram mais difíceis, mas não impossíveis. Mas, por incrível que pareça, a doença trouxe coisas boas também. Hoje passo mais tempo com a minha família, além de ser paparicado

ACOMPANHAMENTO MULTIDISCIPLINAR
A Esclerose Lateral Amiotrófica é uma doença degenerativa rara que causa paralisia motora progressiva, afetando o neurônio motor do cérebro e medula espinhal. Saiba mais aqui.
Apesar de não ter cura, César conta com a ajuda de uma equipe multidisciplinar para tratar os sintomas da doença.
“Tenho acompanhamento neurológico no Hospital das Clínicas de
 Belo Horizonte, além de fisioterapia, terapia ocupacional, motora e respiratória e pneumologista”, resume.
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